Arquivo mensal: julho 2013

Mês da Amazônia: entrevista com Na Figueredo

O Mês da Amazônia, em parceria com a Na Music e com o Rdio, nos proporcionou um pouco do que é a música do Norte do país, recheada de ginga e de ritmos latinos como o carimbó e a guitarrada. Pra comemorar esse grande feito, batemos um papo com Na Figueredo, criador da marca de roupas que leva seu nome, e fundador da Na Music, que inovou o cenário musical paraense. Ele nos conta um pouco de sua trajetória e comenta o sucesso que a música do Norte vem fazendo pelo Brasil.

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Como começou essa ideia da marca Na Figueredo e da Na Music?

Tudo começou na faculdade de letras, na década de 80, e sempre tive uma veia de escritor e poeta. Era uma época em que eu não tinha muito trabalho, e acabei escrevendo um poema em uma camiseta, e ela fez sucesso entre os colegas. Passei a vender algumas camisetas com esse poema. Terminei o curso e nunca dei aula, mas sempre fui envolvido com cultura. De 1983 até 1990, eu vendi camisetas na rua, e a partir de 90, a coisa cresceu e abri uma loja. Como sempre fui muito envolvido com música, comecei a produzir eventos em Belém, e acabei trazendo pra cidade algumas das principais bandas de punk e rock pesado brasileiro, como Sepultura, Ratos de Porão e Angra. Mais tarde, trouxe também bandas gringas como Blind Guardian, da Alemanha. Além de promover essas bandas em Belém, abri espaço também para as bandas locais se apresentarem nesses eventos. Com isso, a loja virou um ponto de encontro entre o público que se reunia para assistir os shows. Após algum tempo, abri um pequeno teatro, na própria loja, para levar algumas dessas bandas e promover ensaios abertos. Em 2000, resolvi montar uma gravadora, a Na Music. Com as reuniões dos ensaios abertos, comecei a produzir os discos de algumas bandas nessa gravadora. Paralelo à produção musical, comecei a customizar outras peças do vestuário, além das já conhecidas camisetas, como saias, vestidos e blusas, criando então a marca Na Figueredo. Os álbuns gravados na Na Music eram consequentemente vendidos na loja Na Figueredo, e posteriormente distribuídos pela Tratore ao redor do Brasil. O primeiro álbum da Na Music distribuído pela Tratore foi o Norman Bates, que tem um som característico do rock brasileiro feito por bandas como Titãs e Plebe Rude. Um dos primeiros CDs gravados na Na Music foi o Indiocídio, da banda de punk rock paraense Delinquentes.

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Como você vê esse espaço maior que a música do Pará tem na mídia nesse momento?

Hoje, o mercado fonográfico descobriu ritmos da região Norte do país, como a guitarrada e o carimbo, que já existiam há bastante tempo. Dona Onete, por exemplo, tem quase 80 anos e nos mostra uma carreira grandiosa na música. Gabi Amarantos, Lia Sophia e Gang do Eletro são alguns dos artistas que hoje conseguem viver de música, o que não acontecia antes. Entre as décadas de 70 e 80, algumas figuras como Fafá de Belém e Nilson Chaves começaram na música do Pará, e hoje são artistas consagrados da MPB. Pinduca é um dos que estouraram com o carimbó no Pará, e mais tarde, chega o tecnobrega com o Calypso. Essa onda que acontece agora é um som mais de raiz, com a guitarrada, que tem influências caribenhas e africanas misturadas com elementos da Jovem Guarda e do Brega, apresentadas por artistas jovens como Felipe Cordeiro e La Pupuña. Por isso, esse é o melhor momento da música do Norte, justamente por agora ter surgido um movimento, uma cena musical, e não somente um ou outro artista do gênero.

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Acesse nossa playlist no Rdio:

http://www.rdio.com/people/tratore/playlists/4274765/M%C3%AAs_da_Amaz%C3%B4nia/

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Entrevista: Fresno, “Infinito” e além

Com o sucesso do álbum Infinito, distribuído pela Tratore, a banda Fresno conta, em uma entrevista exclusiva, tudo sobre a sua volta à cena independente, a experiência no SXSW, e outras novidades que virão por aí. Ontem (03/07), a banda estreou o novíssimo clipe da faixa “Maior Que As Muralhas”.

901114_573679775989217_436692478_o                     (A banda em turnê pelo Texas  – Copyright Luringa © 2013)

 

Com a volta à cena independente, o som da Fresno ficou mais “maduro”? Como foi a receptividade do público de vocês com o novo álbum Infinito?

Fresno: Desde os primeiros álbuns, cada um reflete um pouco do amadurecimento gradual da banda. Não só na parte instrumental, onde estamos cada vez aprendendo mais e executando melhor, mas também nas letras. Temas que eram tratados com mais frequência anteriormente, como simples problemas amorosos da adolescência, hoje dão lugar a assuntos mais profundos. E isso é um tanto lógico, pois estamos nos tornando pessoas mais velhas e com novas questões para abordar. A receptividade do público foi ótima! O legal é que, além de sempre estarmos conquistando fãs novos e jovens, conseguimos manter o velho público fiel que nos acompanha desde sempre. Talvez essa parcela mais velha do público se identifique ainda mais com a temática atual das nossas letras.

 

Trabalhar em um disco de forma independente, com uma carreira já consolidada, envolve riscos?

Fresno: Com certeza! O risco do artista independente começa na parte financeira. A gente passou quatro anos dentro de uma gravadora, e ela nos dava um suporte muito grande por ter uma estrutura montada e consolidada. Depois que saímos, muitos custos passaram para nós mesmos pagarmos. Divulgadores, assessores, a própria prensagem do CD. O lado bom é que, tudo dando certo, o lucro é todo nosso. Tudo dando errado, o prejuízo também é todo nosso. Está aí uma definição perfeita de algo arriscado. Como temos convicção no nosso trabalho, nunca tivemos maiores preocupações com essa segunda opção. Além da questão financeira, tem sim um risco “artístico”. Algumas pessoas começam a olhar torto para bandas que saem de gravadoras. Acham que vão voltar ao underground, sumir da mídia. Nosso objetivo foi o contrário: aparecer mais ainda na mídia e provar que uma banda independente pode brigar de igual para igual no mainstream com as outras bandas de gravadora.

 

Para vocês, qual é a principal diferença entre esse último álbum e seus trabalhos anteriores?

Fresno: A grande diferença foi que nesse disco fizemos tudo sozinhos. Os produtores fomos nós mesmos, liderados pelo Lucas, que tem grande experiência nessa área. Além do Marco Lafico, que gravou/mixou/masterizou o disco, e do Lucas Lima, que fez os arranjos de cordas, nada foi feito por outras pessoas. Até a foto da capa é nossa. Foi uma responsabilidade que decidimos assumir. Acho que, mesmo que involuntariamente, o disco fica mais com a cara da banda, sem essas interferências externas (sejam boas ou ruins).

 

Como foi tocar no South By Southwest (SXSW)? O público de Austin foi bem receptivo?

Fresno: Muito bacana! Não apenas tocar, mas interagir com todas as pessoas e bandas que participavam do festival. Uma experiência enorme que vamos levar para sempre. O clima lá é ótimo, o público é muito receptivo e respeitoso. Surpreendentemente, conhecemos vários fãs americanos que conheciam a banda, inclusive alguns que se deslocaram grandes distâncias para nos ver no festival. Teve um que nos viu andando na rua e nos abordou para conversar e tirar fotos. Está no documentário que fizemos sobre o festival, é uma cena muito legal.

 

Após essa experiência no SXSW, vocês planejam uma turnê internacional?

Fresno: Sim, já estamos arquitetando um plano para ainda esse ano. Logo mais, novidades.

 

Nos últimos meses, vocês fizeram a campanha do World Bike Tour pelo Brasil. Como foi participar de um projeto de sustentabilidade?

Fresno: Essa ideia foi do Lucas. Ele anda muito de bicicleta, e teve ideia de fazer um show cuja energia seria fornecida por pedaladas de pessoas. Quando ele tem uma ideia dessas, ele não sossega até conseguir pôr em prática! Marcou uma reunião com o pessoal do World Bike Tour, que é um passeio ciclístico que acontece anualmente em SP e outras cidades, e mostrou a ideia. Eles toparam fechar a parceria, e começamos a fazer os shows. É muito legal levar a mensagem da sustentabilidade para as pessoas. É algo que ainda está engatinhando no Brasil, mas que logo mais será algo totalmente necessário para o bom andamento do planeta. Já estamos com um projeto para levar esse show para muitas outras cidades em 2014.

 

Agora vocês estão lançando o clipe oficial de “Maior Que As Muralhas”. Tem mais coisa nova vindo por aí?

Fresno: Estamos com foco total no lançamento desse clipe, que tem tudo para ser o maior da nossa carreira. Ele conta com a participação de vários atletas paralímpicos que defendem o Brasil em diversas competições, sendo eles a fiel representação de pessoas que são maiores que as muralhas. O clipe está lindo, vocês não perdem por esperar.

 

(Para Lucas Silveira) Você lançou recentemente um projeto novo chamado Vaconaut & The Apple Monster, com o single “Party Is Over”. Em quê consiste esse projeto?

Lucas: Vaconaut & The Apple Monster consiste em algum tempo livre e um home studio ao meu alcance. Comecei de brincadeira a escrever músicas junto da minha namorada, a skatista Karen Jonz, e aí decidimos gravar. A ideia é fazer algo sem muita pretensão, sem ficar pensando muito, algo divertido, meio ‘Disney’, mas bem cheio de melodias e sempre bem rock. Quando dá tempo, a gente grava em casa e lança essas coisas. Mas ainda é muito cedo pra falar em disco.

 

Agora, em primeira mão, confira o clipe de “Maior Que As Muralhas”:

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