Mês da Amazônia: entrevista com Na Figueredo

O Mês da Amazônia, em parceria com a Na Music e com o Rdio, nos proporcionou um pouco do que é a música do Norte do país, recheada de ginga e de ritmos latinos como o carimbó e a guitarrada. Pra comemorar esse grande feito, batemos um papo com Na Figueredo, criador da marca de roupas que leva seu nome, e fundador da Na Music, que inovou o cenário musical paraense. Ele nos conta um pouco de sua trajetória e comenta o sucesso que a música do Norte vem fazendo pelo Brasil.

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Como começou essa ideia da marca Na Figueredo e da Na Music?

Tudo começou na faculdade de letras, na década de 80, e sempre tive uma veia de escritor e poeta. Era uma época em que eu não tinha muito trabalho, e acabei escrevendo um poema em uma camiseta, e ela fez sucesso entre os colegas. Passei a vender algumas camisetas com esse poema. Terminei o curso e nunca dei aula, mas sempre fui envolvido com cultura. De 1983 até 1990, eu vendi camisetas na rua, e a partir de 90, a coisa cresceu e abri uma loja. Como sempre fui muito envolvido com música, comecei a produzir eventos em Belém, e acabei trazendo pra cidade algumas das principais bandas de punk e rock pesado brasileiro, como Sepultura, Ratos de Porão e Angra. Mais tarde, trouxe também bandas gringas como Blind Guardian, da Alemanha. Além de promover essas bandas em Belém, abri espaço também para as bandas locais se apresentarem nesses eventos. Com isso, a loja virou um ponto de encontro entre o público que se reunia para assistir os shows. Após algum tempo, abri um pequeno teatro, na própria loja, para levar algumas dessas bandas e promover ensaios abertos. Em 2000, resolvi montar uma gravadora, a Na Music. Com as reuniões dos ensaios abertos, comecei a produzir os discos de algumas bandas nessa gravadora. Paralelo à produção musical, comecei a customizar outras peças do vestuário, além das já conhecidas camisetas, como saias, vestidos e blusas, criando então a marca Na Figueredo. Os álbuns gravados na Na Music eram consequentemente vendidos na loja Na Figueredo, e posteriormente distribuídos pela Tratore ao redor do Brasil. O primeiro álbum da Na Music distribuído pela Tratore foi o Norman Bates, que tem um som característico do rock brasileiro feito por bandas como Titãs e Plebe Rude. Um dos primeiros CDs gravados na Na Music foi o Indiocídio, da banda de punk rock paraense Delinquentes.

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Como você vê esse espaço maior que a música do Pará tem na mídia nesse momento?

Hoje, o mercado fonográfico descobriu ritmos da região Norte do país, como a guitarrada e o carimbo, que já existiam há bastante tempo. Dona Onete, por exemplo, tem quase 80 anos e nos mostra uma carreira grandiosa na música. Gabi Amarantos, Lia Sophia e Gang do Eletro são alguns dos artistas que hoje conseguem viver de música, o que não acontecia antes. Entre as décadas de 70 e 80, algumas figuras como Fafá de Belém e Nilson Chaves começaram na música do Pará, e hoje são artistas consagrados da MPB. Pinduca é um dos que estouraram com o carimbó no Pará, e mais tarde, chega o tecnobrega com o Calypso. Essa onda que acontece agora é um som mais de raiz, com a guitarrada, que tem influências caribenhas e africanas misturadas com elementos da Jovem Guarda e do Brega, apresentadas por artistas jovens como Felipe Cordeiro e La Pupuña. Por isso, esse é o melhor momento da música do Norte, justamente por agora ter surgido um movimento, uma cena musical, e não somente um ou outro artista do gênero.

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Acesse nossa playlist no Rdio:

http://www.rdio.com/people/tratore/playlists/4274765/M%C3%AAs_da_Amaz%C3%B4nia/

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