Artistas: por que NÃO concentrar seu marketing SÓ no Facebook

Olá amigos da Tratore, aqui é o Mauricio Bussab, diretor da Tratore. Este post foge um pouco da norma dos posts aqui no nosso blog. É um alerta para os músicos e artistas: não coloque todas suas fichas no Facebook.

O Facebook é uma tremenda ferramenta de comunicação social: menos intrusivo que o email, facil de atrair e capturar fãs. Tem agenda embutida. Só não tem mesmo uma ferramenta nativa para tocar musica mas até aí voce pode usar o soundcloud ou as lojas de streaming ou o Youtube para completar a funcionalidade. Bárbaro, né?

Mas recentemente no ultimo encontro da ABMI no Rio de Janeiro em setembro de 2014, o Rio Music Buzz, uma palestrante européia fez um alerta com a seguinte história e foi essa história que motivou este post:

Temos um artista que tem 2,2 milhões de seguidores no Facebook (sim, é um artista grande). Mas como vocês sabem, o Facebook não garante que os posts sejam vistos por todos estes seguidores. Você posta uma notícia na sua fan page mas não há garantia que todos os seguidores a vejam. Na verdade menos de 10% dos seguidores vão ver a notícia a menos que voce a promova, pagando. Isso não é novidade mas para quem não sabe vale o aviso: o Facebook não coloca as notícias no feed de todos seus seguidores.

Mas o que é chocante é o quanto isto está custando para nós: para poder chegar em apenas 20% dos seguidores que este artista já tem, estamos gastando 1500 dólares por post em custo de promoção pago ao facebook.

Isto porque o fã da sua página não é um fã seu. É um fã do Facebook. O Facebook o controla, e apenas o Facebook tem acesso ao email deste fã. Se voce sai do Facebook voce não leva este fã junto. E esta gravadora agora está nesta emboscada: ou ela desembolsa milhares de dólares cada vez que posta algo ou não chega nem em uma fração dos seguidores que supostamente ela já tem. Tenho certeza que nenhum de nós gostaria de se encontrar na mesma situação.

Então aqui vai o alerta: fiquem no Facebook; é uma ótima plataforma. Mas continuem a investir em manter uma relação direta com seus fãs através do seu site e capturando os emails deles.

Reino da Juventude

Chegou na Tratore uma relíquia dos anos 60, o álbum intitulado “Reino da Juventude”!

Para falar sobre ele contamos com o Valdimir da DGD Records, que nos contou sobre o álbum e o que alguns dos músicos fazem nos dias de hoje.

 

 

Capa do álbum de 1964.

Capa do álbum de 1964.

Produzido por Antonio Aguillar
Lançado originalmente em 1964

Este LP foi produzido a partir do programa homônimo de TV, onde se apresentavam novos valores da música jovem que fazia muito sucesso na época (rock’n’roll, rock balada, música italiana rock instrumental etc.).
Antonio Aguillar, um dos precursores do movimento no Brasil, entre seus inúmeros dons (apresentador, jornalista, fotógrafo profissional, redator, compositor, DJ (naqueles anos chamávamos de disc-jockey!) e empresário, foi quem lançou os grupos Os Incríveis (no início ‘The Clevers’), The Jet Black’s, the Flyers, Marcos Roberto, Sérgio Reis e até Roberto Carlos, que veio lhe pedir uma “ajudinha” em São Paulo e que lhe é grato até hoje.
A pedido de uma gravadora nacional, ele recrutou alguns artistas que ele estava “criando”, selecionou o repertório e entrou em estúdio. Dali saiu o LP que levou o nome de seu programa na época, “Reino da Juventude”.
Nele podemos escutar a primeira gravação d’Os Vips (ainda The Vips), cantando uma composição própria… em inglês! “Tonight” foi um dos carros-chefe deste LP. Temos também a primeira gravação de Orlando Alvarado, argentino recém-chegado ao Brasil, que anos depois participaria da Jovem Guarda cantando seu maior sucesso: “Bienvenido Amor’’.
Do extinto Conjunto Alvorada, de onde saiu Meire Pavão, a rainha da juventude daquele ano, vieram duas vozes maravilhosas: Sidnéia e Marly.
Curiosamente você encontrará um Sérgio Reis bem diferente, em seu início de carreira, cantando em italiano (O Mio Signore) e ainda o legítimo italiano Dick Danello, que até hoje faz shows, com sua primeira gravação “Solo Due Righe”.
The Flyers, que abrem o disco, foi criado para ser o sucessor dos Incríveis, que estavam na Argentina em turnê e havia o boato de que não voltariam ao Brasil. Deste grupo saíram o Guilherme Dotta, depois titular do The Jet Black’s e Pique Riverte, um dos melhores saxofonistas do país, que foi tocar na orquestra de Roberto Carlos.
A versão “Primeira Estrela” está gravada por Luiz Antonio, que anos depois se consagrou com Tony Bizarro, até nossos dias em atividade, como excelente artista que é e não podemos esquecer a também estréia de Marcos Roberto, interpretando “Canção do Amor Perdido”, uma composição de nada menos que Aladdin, guitarrista do The Jordans!
Como vêem, este é um documento perdido na história que agora vem cobrir esta lacuna na música brasileira.

 

Contra capa

Contra capa

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Antonio Aguillar com Roberto Carlos e Ronnie.

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Antonio Aguillar apresentando seu programa de 1964 com Roberto Carlos.

 

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Pique Riverte em estúdio.

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Guilherme Dotta e Pique Riverte em estúdio gravando álbum dos the Jet Black’s.

 

 Como estão nos dias de Hoje

Marcos Roberto: teve uma carreira de muitos sucessos, antes, durante e depois da Jovem Guarda. Seu apelido na época era “bebê Johnson”, por sua cara angelical, loirinho e de olhos azuis, como os bebês das propagandas. Faleceu no ano passado.
Orlando Alvarado: Hoje faz shows esporádicos em pequenos bares pelo Brasil, na época fez grande sucesso cantando rocks em espanhol.
The Vips: se tornaram “Os Vips”, dupla de grande sucesso na Jovemm Guarda. Posteriormente, paralelo à carreira artística, Marcio Antonucci (um dos irmãos) se tornou produtor musical da Rede Globo, criando grandes programas (por exemplo, o Globo de Ouro). Ele faleceu este ano.
Sidnéia e Marly: começaram a carreira no grupo feminino Conjunto Alvorada, formado pelas alunas do professor e compositor Theotônio Pavão. Desse grupo fez parte Meire Pavão, que se tornou a Rainha da Juventude na pré-jovem guarda. Elas gravaram em Buenos Aires e, no Brasil, só este LP. Saíram da carreira, casaram e vivem até hoje cuidando de suas famílias.
Dick Danello: posterior a esta gravação, ele foi para a Fermata onde estourou com o sucesso “Quando Vedrai la Mia Ragazza”. Sempre cantou em italiano (sua língua nativa), se tornou empresário e é dono hoje da Central Park (gravadora e editora) que lançou vários artistas brasileiros cantando em inglês (moda nos anos 70/80). É também o diretor artpistico dos shows nos navios da rede Costa Cruzeiro.
Tony Dilson se tornou apresentador de programas de rádio e TV no interior de São Paulo.
Túlio e os Hitch-Hikers: Se desfizeram logo após este LP e o Túlio veio a falecer prematuramente.
The Flyers: conjunto criado por Antonio Aguillar para substituir The Clever (depois “Os Incríveis”) que estavam abandonando-o como empresário, devido a boatos. Gravaram um LP na RCA, cult até hoje. Deste grupo saíram Guilherme Dotta (falecido), que depois foi o titular do The Jet Black’s, o mais famoso grupo instrumental brasileiro e Pique Riverte (falecido), saxofonista que fez parte da banda de Roberto Carlos e gravava com ele até o fim de sua vida. Foi considerado um dos melhores do Brasil.
Luiz Antonio: depois de alguns anos passou a ser Tony Bizarro. Formou a dupla Tony & Frankie nos anos 70, que logo se dissolveu e pasou a participar de gravações em discos de Tim Maia, Lincoln Olivettie outros. Se tornou um importante produtor (Cassiano, Sidney Magal, Odair José e muitos outros de sucesso), se tornando o principal nome da soul music brasileira.
Antonio Aguillar: radialista, produtor, empresário, repórter fotográfico, apresentador, compositor e escritor, apresenta hoje o programa “Jovens Tardes de Domingo” na Rádio Capital e é o empresário e produtor do grupo The Clevers.

 

 

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Tony Bizarro

Tony Dilson (Mestre Xaman)

Tony Dilson

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Guilherme Dotta.

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Antonio Aguillar e Sérgio Reis.

Marcos Roberto e Valdimir.

Marcos Roberto e Valdimir.

Orlando Alvarado

Orlando Alvarado.

Os Vips e Valdimir

Os Vips e Valdimir.

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