Faça Você Mesmo: Produzindo “Mondo Nuovo”, do Ungambikkula

feno 2-01

por David Dines e Nicole Patrício

Ungambikkula é mais do que uma banda: é uma companhia sediada em Campinas (SP) com espaço próprio e grande dedicação a trabalhos de ativismo e arte. Seu fundador é Pavitra Shakti Shankar, ex-integrante do grupo de rock progressivo Recordando o Vale das Maçãs.

“Mondo Nuovo” é o quinto álbum do grupo, cujos integrantes definem seu gênero musical como “música híbrida”. Conversamos com Anantha Devi (voz e teclados) e Ecka Sharanan (bateria e percussão) sobre o conceito e processo de gravação e finalização do álbum, que estará disponível em todas as plataformas digitais a partir de 29 de abril.

Confira:

CONCEITUANDO O TRABALHO

Anantha Devi:
O Ungambikkula, como projeto maior, não só como banda, sempre juntou várias linguagens artísticas.

Ecka Sharanan:
Esse último álbum tem a ver com a crise planetária. A escolha das músicas está relacionada ao momento do planeta no sentido de emergência e de valores primordiais. Como a parte filosófica da banda é de resgatar esses valores primordiais da humanidade, a gente utiliza a música para fazer isso. Está impresso nas letras esse conteúdo de despertar, relacionado à evolução da consciência humana. Valores que estão, por exemplo, na canção “Egoísmo Não Vale”. O egoísmo revela a crise, é um dos pontos rígidos do que a gente vive hoje.

GRAVANDO!

Anantha:
A gente demorou nove meses, mais ou menos.

Ecka:
O “Chão Nosso”, que é o álbum anterior ao “Mondo Nuovo”, também foi produzido no nosso espaço de forma independente. Esses dois últimos álbuns têm 100% de produção do Ungambikkula, desde captação, mixagem a masterização. Só a prensagem que a gente mandou pra Manaus e voltou.

Anantha:
Nosso espaço não é um estúdio. A gente tem um galpão de 200 metros quadrados em Campinas e foi construindo o isolamento acústico ao longo dos sete anos que a gente ocupa esse espaço. Então, a gente gravou todo esse disco durante a madrugada. Isso é algo bem específico do nosso grupo.

Ecka:
Por causa do barulho, né?

Anantha:
Enquanto todo mundo dorme, a gente trabalha. (risos)

Ecka:
A gente investiu em um microfone adequado pra captação (um AKG) e grava em Pro Tools. Precisávamos do silêncio e da acústica. Então decidimos gravar de madrugada e também tratar o espaço acusticamente de uma forma específica. Tem uma vantagem no nosso grupo que é o fato de a bateria ser eletrônica, é uma Roland V-Drum. Então, não é preciso ter uma sala de gravação de bateria, é questão de uma entrada MIDI. E, dessa forma, você também consegue mudar o timbre de todas as peças. A gente fica bem “tribo do futuro mesmo”, misturando orgânico e eletrônico, sintético…

Anantha:
O baixo é orgânico, as vozes são… Mas a gente usa bastante esses recursos sem nenhum preconceito em relação a eles. E na hora de gravar voz é “todo mundo quieto!”.

Ecka:
Tem uma ordem que a gente segue, uma grade de captação, como em estúdio mesmo. Como fizemos os dois primeiros álbuns em um estúdio, já tínhamos esse know-how. E o guitarrista também é produtor, então também tinha uma grande experiência em estúdio. Ele se aperfeiçoou nos processos.

DESENVOLVENDO HABILIDADES

Anantha:
Muitos de nós tínhamos alguns potenciais específicos quando começamos o projeto do Ungambikkula. E a demanda foi fazendo com que a gente desenvolvesse outros potenciais. Então, por exemplo, na gravação do disco, quem grava o disco hoje e cuida de toda a operacionalização é o nosso guitarrista. Ele é quem capta tudo. Não é uma coisa que ele tinha um potencial disponível para isso: ele era um músico, simplesmente. A baixista não tocava baixo quando a gente começou o Ungambikkula: ela era cantora e tocava guitarra. Hoje ela toca baixo, canta e faz toda a parte de arte gráfica. Toda a comunicação passa pelo crivo dela.

Ecka:
É o caso de sonhar com um projeto ideal e não ter recurso pra dar conta de toda a qualidade de que você gostaria. Então parece que demora um pouquinho mais, no sentido de maturidade, mas você tá íntegro no resultado, porque você aprendeu a fazer um monte de coisa, faz do jeito que você gostaria, não precisa pagar uma pessoa de fora para fazer. Tem uma das frases do projeto que é até sobre isso: “Divino é honrar o seu dom”.

OUVIR E AVALIAR

Anantha:
A gente pega referências de grupos que a gente gosta bastante, como Deep Forest, Peter Gabriel, músicos da world music, do rock progressivo, como o Yes, a coisas de hoje, como Björk. A gente compara nossa mix e nossa master com as dessas pessoas, distribui para toda a banda ouvir nos seus carros e nos seus sons para a gente ver se equalizou de uma forma adequada.

Ecka:
No “Chão Nosso”, por ser o primeiro álbum que fizemos de forma totalmente independente, a gente sentiu a necessidade de levar a master para ouvir em dois estúdios, para ver se nossa referência estava adequada. Nesse novo, com a experiência, não houve essa necessidade.

MÃO NA MASSA

Anantha:
Um dos problemas que podem surgir ao fazer um disco é essa coisa de você sempre esperar uma solução de fora. Então, como você pode propor a solução com o que você tem, com os que estão à sua volta, com os recursos que estão disponíveis para você? Você pode fazer arte com o que tem à sua volta, pode fazer transformações. Não tem que ter uma expectativa de solução externa.

Ecka:
A gente acredita que, quando a gente entra num processo artístico, sai transformado. Algo positivo acontece. Chamamos nossa sede de um grande vaso alquímico, porque estamos sempre fazendo arte, sempre envolvido, sempre resgatando esses valores. A gente quer inspirar as pessoas a juntar os seus e fazer arte. Você não precisa de capital para fazer arte.

Ouça o trabalho anterior do Ungambikkula, “Chão Nosso”, na sua plataforma preferida: http://tratore.com.br/um_cd.php?id=6714

Conecte com a banda pelo Facebook: https://www.facebook.com/ungambikkula/

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s