Tudo novo de novo: como trabalhar relançamentos

Sem título
“Um Pouco Mais de Silêncio”, zine da banda Bratislava, e “Shaking Planets”, box com 3 CDs de Sérgio Benevenuto. Foto: Nicole Patrício

por David Dines e Nicole Patrício

Os artistas vivem, hoje, a era em que o acesso facilitado à música digital torna o conceito de relançamento algo um tanto anacrônico, já que as plataformas de streaming e download concentram toda uma discografia em um espaço reduzido. Então, como fazer com que um trabalho antigo, apresentado em um novo contexto, seja recebido com tanto entusiasmo quanto na primeira vez que foi lançado? A Tratore te dá algumas dicas:

Remasterização das faixas
Caso seu álbum tenha sido lançado há bastante tempo, considere remasterizá-lo para que não soe deslocado das produções musicais contemporâneas. Com a mudança nos hábitos de consumo de música nos últimos 15 anos (surgimento do MP3 e, posteriormente, do streaming), os padrões de compressão também mudaram. Se você  relançá-lo com o áudio original, pode ser que o disco soe baixo em relação à maioria dos outros lançamentos ou que alguma parte das equalizações funcione mal com a  compressão padrão de cada plataforma. É bom fazer essa revisão do áudio para que seu material volte a causar a melhor impressão possível nos antigos ouvintes e cative novos admiradores.

Conteúdo bônus
Quando se é fã de um artista ou banda, sempre há a curiosidade de saber a inspiração para determinada música, como ela soa nos palcos ou como seria se os músicos tocassem uma canção de outra pessoa. Músicas inéditas, covers, versões ao vivo ou até mesmo demos das faixas podem ser ótimos motivos para seu relançamento: além de valorizarem o conteúdo do seu álbum, oferecem proximidade a quem já escuta seu som.

Nova arte
Pode ser uma boa ideia distinguir visualmente o relançamento do original de alguma forma, para facilitar a identificação por parte do público. Vale a pena, por exemplo, se inspirar nos exemplos de relançamentos feitos por artistas de grande porte, como Kraftwerk e Phil Collins. Há alguns anos, o grupo alemão relançou todas as suas obras clássicas dos anos 1970 com capas cheias de grafismos recriadas em cima dos conceitos visuais originais de cada título. E, no ano passado, o ex-baterista do Genesis relançou seus principais títulos em carreira solo com as fotos “atualizadas”, refeitas com Phil na idade atual. De toda forma, assegure-se de que você ainda detém todas as autorizações de uso da imagem original, para evitar problemas legais na hora de relançar seu produto.

Embalagem
Além de retrabalhar a arte, incrementar a embalagem do álbum também é algo a ser considerado – a simples transição de um CD de capa acrílica para digipack, por exemplo, pode dar outra roupagem ao disco. Pode-se, ainda, reunir vários álbuns num produto só, como fez o músico Sérgio Benevenuto em seu box “Shaking Planets”, composto de 3 discos: “Onde Andará Ruff Cutz?” (2008), “Io” (2011) e o inédito “Cangaço Cyber” (2016). Outro exemplo é “Um Pouco Mais de Silêncio”, da Bratislava – após o lançamento digital e uma bem sucedida campanha de crowdfunding, a banda disponibilizou o álbum em versão zine, com ilustrações, letras das músicas e links para conteúdo exclusivo de faixas como “Deze7 Relâmpagos” e “Dialua”.

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