O início, o fim e o meio: como construir a tracklist do seu álbum?

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por David Dines

Seu lançamento está em fase de finalização e chegou a hora de definir a ordem das músicas. Como construir uma tracklist que prenda a atenção de seu ouvinte no ambiente digital e nas mídias físicas? A Tratore dá algumas dicas. Confira:


1. Construa uma narrativa

Esse é o ponto primordial ao definir a tracklist de um álbum ou EP: o balanço e a conexão entre as faixas. Estabeleça um ponto de partida e desenvolva a jornada a partir de elementos sonoros que se complementam, padrões rítmicos e temática das letras.

Procure quebrar a dinâmica de vez em quando, para não cansar seu ouvinte com repetidas faixas no mesmo tipo de estrutura. Dentro do possível, pense sua tracklist como um DJ set ou uma playlist: o que será capaz de surpreender ou manter a atenção de quem escuta a partir da próxima faixa?

2. Comece com faixas fortes

Além de motivarem o ouvinte para mergulhar na experiência do lançamento, as primeiras canções de um álbum são inevitavelmente as mais tocadas nas plataformas digitais — a não ser que alguma faixa que esteja mais à frente na tracklist tenha sido lançada anteriormente em um single ou EP.

Outro comportamento visível nos serviços de streaming é que a atenção do público diminui progressivamente ao longo do álbum, o que ratifica o peso das primeiras músicas.

No vinil também há uma importância especial nas primeiras faixas de cada lado: quanto mais próxima à borda do disco, mais profundidade no corte a faixa terá e, portanto, mais nuances de dinâmica e equalização. Conforme a agulha avança para o centro do vinil, as faixas perdem parte desse brilho e peso. Reserve esse lugar especial para as músicas mais importantes.

3. Cada mídia possibilita uma dinâmica de audição

Ao definir a ordem das músicas, leve em conta cada formato em que seu lançamento sairá, uma vez que os ouvintes têm diferentes comportamentos em cada circunstância.

Nas plataformas digitais a audição é fragmentada: os primeiros 30 segundos de cada canção são decisivos, já que 35% das pessoas decidem se vão pular de faixa até essa duração.

Entre os formatos físicos, o CD permite uma audição linear que pode servir bem a uma narrativa consolidada, enquanto o vinil sempre divide a experiência em dois momentos (ou quatro, no caso de álbuns duplos). Há artistas que, inclusive, se utilizam desse aspecto do vinil para subdividir o álbum conceitualmente em mais de uma narrativa, como Kate Bush em “Hounds of Love” — o lado A concentra os singles do álbum enquanto o B, intitulado “The Ninth Wave”, desenvolve uma narrativa sobre uma pessoa que deriva no mar à noite.

4. Como encerrar?

Escolha uma série de faixas que faça sentido na conclusão da jornada sonora. De toda forma, leve em conta o fato de que muitos artistas optam por canções de dinâmica mais suave nesse momento.

Como dito anteriormente, os sulcos do fim do disco de vinil têm menos profundidade e definição sonora — por isso, muitos deixam esse momento para as baladas. Nas plataformas digitais também nota-se uma tendência de faixas mais suaves e menos urgentes dentro da construção do álbum, de modo a reservar aquele momento final para algo mais intimista e próximo dos ouvintes mais engajados.

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