Ressonância: Honey Bomb Records

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por David Dines

A Tratore começa hoje uma nova série de textos no blog: é a Ressonância, que compartilha um pouco da visão, estratégia e funcionamento de alguns dos principais selos independentes do Brasil.

Com 11 títulos lançados desde 2013, o selo Honey Bomb Records vem se estabelecendo como uma das forças motrizes da nova música independente gaúcha, com lançamentos que vão do rock psicodélico a experimentações com ritmos latinos. Entre os lançamentos recentes que receberam especial atenção de imprensa e público estão os álbuns da Catavento e do BIKE.

Capitaneado por três amigos músicos, o selo começou com a união em torno dos projetos artísticos dos seus criadores, em especial a Catavento (da qual Eduardo Panozzo, um dos sócios, é guitarrista) e a Slow Bricker, em que Jonas Bender Bustince tocava bateria — hoje, além de gerenciar o selo, também é integrante do Não ao Futebol Moderno. O lançamento de estreia foi um split em fita cassete das duas bandas seminais, cuja boa repercussão pelo Rio Grande do Sul motivou a busca por realizações cada vez maiores.

A base das atividades da Honey Bomb é um escritório no sótão da casa colaborativa Paralela, em Caxias do Sul. O local, ocupado exclusivamente por empreendedores da economia criativa, é dividido com um estúdio de produção de hip hop, escritórios de comunicação e audiovisual e um espaço de dança, além de ter uma garagem convertida em ambiente para shows e festas. “Viemos para cá no início de tudo, fomos para outro espaço colaborativo e retornamos recentemente”, conta Bustince. Os sócios têm a intenção de ter um espaço próprio em breve.

Apesar dos desafios, o fato de a Honey Bomb basear-se fora de uma capital é vista como oportunidade para a exploração de novas possibilidades. “A ideia já estava no ar por aqui, a gente só fez a função de realizar mesmo. O lugar é mais carente de coisas acontecendo. Talvez a parte mais difícil seja mobilizar as pessoas e alimentar o sentimento de que diversão, cultura, música são importantes, sim”, afirma Panozzo. No entanto, parte desse crescimento também se deve ao diálogo constante com artistas, produtores e iniciativas de outras cidades, estados e países. Essa relação vem transformando a Honey Bomb em um ponto de conexão entre diversos entes do ecossistema da música nacional e internacional.

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Catavento, uma das bandas do roster da Honey Bomb Records (foto: Tuany Areze)

Do primeiro título até agora, a Honey Bomb já colocou no mercado CDs, vinis e lançamentos digitais de outras bandas locais (Cuscobayo, Supervão, Mingarden) e artistas de outros pontos do Brasil (a capixaba My Magical Glowing Lens, os paranaenses do Marrakesh) e do exterior (os californianos The Blank Tapes). Para cada título lançado, o selo realiza um tipo de parceria diferente com os artistas. A maior parte chega com os fonogramas já prontos, enquanto a Honey Bomb se encarrega principalmente da promoção, comunicação e trâmites de distribuição digital e física, com o apoio da Tratore. “Somos todos formados em comunicação, nada mais natural”, afirma Eduardo Panozzo. Em comum na relação com todos os artistas está a conexão afetiva. “A gente sempre vira brother antes de começar a trabalhar, ou acaba trabalhando porque é brother. Isso dá um ar bem informal pra essa relação”, comenta. Os lançamentos geralmente são viabilizados de forma totalmente independente, mas neste ano, o selo fez seu primeiro lançamento a partir de incentivo público, com o apoio de um edital municipal para a tiragem em vinil de “CHA”, disco mais recente da Catavento.

A parte de agenciamento também tornou-se uma das atividades importantes do selo com o passar do tempo. “Produzimos festas aqui em Caxias do Sul e fazemos um pouco do booking de algumas bandas que tem mais dificuldade com isso”, diz Panozzo. Uma das conexões feitas por meio do agendamento de shows foi com a banda norte-americana Winter, que circulou pelo sul do Brasil com o apoio da Honey Bomb. “A vocalista da banda, Samira Winter, viveu em Curitiba na infância e nos conectamos por um amigo em comum. Eles tinham interesse em tocar no Brasil e viabilizamos algumas datas. Eles vieram em três pessoas e os conectamos com músicos locais para completar a formação ao vivo. A experiência foi tão boa que continuamos em contato e eles indicaram The Blank Tapes para o selo depois”, diz Jonas Bender Bustince. Outros feitos recentes da Honey Bomb na parte de booking são a turnê da Cuscobayo pela Argentina no fim deste ano e a série de shows da Catavento pelo Nordeste em novembro, viabilizada pela parceria com uma marca gaúcha de chinelos.

Com a circulação e as trocas constantes, os sócios da Honey Bomb veem o momento atual do ecossistema da música como positivo. “A gente é tão otimista que está sempre incentivando as pessoas a começarem suas próprias iniciativas também”, conta Panozzo. Na intenção de beneficiar artistas e produtores para fora das atividades diretas do selo, ele também deu o pontapé inicial no projeto PÓLEN, que visa a ser um espaço de diálogo sobre o mercado e discussão de estratégias para artistas que buscam viabilizar suas carreiras. A Tratore é parceira da iniciativa e já participou de um hangout sobre distribuição e, recentemente, de um painel em Caxias do Sul sobre música digital.

Na opinião da Honey Bomb, o que seria necessário para começar um selo hoje? “Vontade e internet”, responde Panozzo. “Digo disposição mesmo, de encarar e abrir mão de muita coisa pra se dedicar a isso, porque não é fácil, mas nunca foi tão possível”.

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2 comentários sobre “Ressonância: Honey Bomb Records

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