Série Arredores: Ana Alexandrino e a fotografia na música

anaalexandrino

por David Dines e Lucas Lima

Na série de entrevistas Arredores, vamos conversar com profissionais respeitados que trabalham ao redor da música, criando circunstâncias e possibilidades para que os artistas se apresentem da melhor forma possível. E a nossa primeira convidada é a fotógrafa e artista visual Ana Alexandrino.

Carioca radicada em São Paulo, Ana tem como especialidade a produção de retratos e cobre a cena artística há 11 anos, com trabalhos publicados em alguns dos principais jornais do país. É a responsável pelas fotografias de capa em álbuns de Letrux, Letuce, Arthur Nogueira, Danilo Moralles e Paulo Ho, além de já ter fotografado artistas como Mãeana, Ava Rocha, Alice CaymmiCastello Branco. Confira a conversa:

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Capas dos álbuns “Letrux em Noite de Climão” (arte por Mariana Abasolo) e “Plano de Fuga Pra Cima dos Outros e de Mim”, do Letuce. Fotografias por Ana Alexandrino.


Quando você começou a fotografar músicos e bandas, Ana?

Comecei com Letícios, a primeira banda da Letícia Novaes. Também fazia muitas fotos de grupos de Jongo. Em seguida, veio Letuce, depois parti para o retrato.

Para você, o que a foto de um artista da música precisa mostrar ou expressar? Por que é importante que essa imagem seja bem produzida?
Um bom retrato não precisa, necessariamente, de muita produção. É legal quando artista e fotógrafo têm a mesma intenção e o resultado até acaba parecendo uma coisa produzida, pensada anteriormente. Na verdade, eu trabalho com intenção, fico atenta onde estou e na atmosfera que o artista quer transmitir, para ver se consigo chegar lá.

É importante ter um conhecimento anterior do artista, ouvir as músicas, antes de fotografar? Como funciona o processo criativo de uma imagem que precisa conversar com um trabalho musical?
É importante sim. Também fotografo peças de teatro e sempre me interesso para ler o texto, conhecer os personagens, saber o que estamos desenhando. São muitos os universos na vida de um artista e tento transferir as sutilezas de cada um. Um resumo em face, que pode falar sobre tudo.

_Danilo_Moralles_Voodoo_Prazer_7899989915039Capa do álbum “Voodoo Prazer”, de Danilo Moralles. Fotografia por Ana Alexandrino.


Há diferença quando um artista deseja fazer uma sessão que será usada como capa de um álbum? Que histórias ficaram dessas experiências?

Não existe diferença, é um ensaio de fotos do qual se acaba extraindo a imagem para a capa. Todos são discutidos, caprichados, pensados como um todo. Agradeço aos artistas que me escolheram para ilustrar seus trabalhos.

O que um músico deve levar em consideração ao trabalhar com um(a) fotógrafo(a)?
Ser honesto. Essa dica maravilhosa é do Lucas Vasconcellos. Se tem honestidade na foto, tem quase tudo.

No momento da produção, quanto cabe à fotógrafa e ao fotografado nas decisões sobre cenário, figurino, postura etc.? É melhor quando os músicos definem exatamente o que querem ou deixam o direcionamento mais aberto?
No momento de concepção, todos damos pitacos, todos fazemos escolhas. Durante o ensaio, eu dirijo, coordeno postura. Só que, por exemplo, há casos como a Letícia Novaes, que já chega com tudo na cabeça dela. Tenho prazer em participar da criação, mas também procuro deixar o fotografado à vontade, para que possa se expressar livremente.

Quanto tempo de antecedência em relação a um lançamento você recomenda que o ensaio fotográfico seja feito?
O melhor é que seja fresco, tanto para mim como para o artista.

 

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Capa do álbum “Rei Ninguém”, de Arthur Nogueira. Fotografia de Ana Alexandrino, desenho e colagem de Elisa Arruda.


Além dos portraits/retratos, você também já fotografou muitos shows e eventos ao vivo. Quais são as diferenças na abordagem por parte de quem fotografa?

No show a luz muda toda hora, tenho que ser veloz porque as coisas estao acontecendo e não quero perder (risos). Tambem tento fugir do microfone no rosto do artista, fico meio que de banda.

Que dicas você daria para músicos que querem melhorar a forma de se apresentar visualmente?
Pode soar um pouco arrogante dar uma dica… Depende do som de cada um. Deve-se, antes de tudo, olhar para dentro.

Qual a dica que você dá para quem quer fotografar no ambiente musical? Como começar?
Tem gente que começa investindo em equipamento. Para mim, não é condição, pode ter qualquer câmera. O importante mesmo é o olho atento que favorece a criatividade, foge da mesmice.

Conheça mais do trabalho de Ana Alexandrino: http://anaalexandrino.cc

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