Dicas Tratore: Entenda o crescimento do mercado fonográfico (e o papel dos independentes nesse contexto)

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por David Dines

Com o avanço do consumo digital de música, o mercado fonográfico global vai muito bem, obrigado. É o terceiro ano de crescimento contínuo e a tendência continua até, pelo menos, 2025. Nesse período, o streaming estabeleceu-se como formato-líder e a democratização do ambiente digital fez com que os independentes ganhassem peso e relevância nesse contexto.

Para entender melhor o momento atual do comércio de fonogramas no mundo — e onde os independentes brasileiros se encaixam –, a Tratore apresenta os principais resultados dos relatórios mais recentes sobre o mercado.

Segundo o relatório mais recente da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês), o mercado global de música gravada movimentou US$ 17,3 bilhões em 2017, o que marca um crescimento de 8,1% em relação ao ano anterior. O digital hoje representa 54% do faturamento da indústria fonográfica no mundo, com o streaming como responsável por 38,4% desse total.

Para entender a proporção dos independentes nesses valores, o relatório mais recente da Worldwide Independent Network (WIN) aponta que, coincidentemente, 38,4% do faturamento de toda a indústria fonográfica vem dos independentes, o que representa mais de US$ 6 bilhões. Só a arrecadação via Merlin, entidade que representa mais de 20 mil selos, distribuidoras e catálogos, foi de US$ 1,5 bilhão em 2017.

O mercado brasileiro é hoje o nono do mundo em números gerais (atrás de Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Coreia do Sul, Canadá e Austrália) e o sexto dentro da Merlin, o que mostra a força dos independentes no território. Em 2017, a arrecadação nacional foi de US$ 295,8 milhões, segundo a Associação Pró-Música. Em relação ao ano anterior, o comércio de música gravada no país teve um crescimento de mais de 17%. De acordo com o último relatório da WIN, os independentes brasileiros representavam 37% da arrecadação nacional.

A maior parte do consumo de música brasileira acontece dentro do território nacional. Segundo dados da Merlin em um estudo de caso, apenas 15% da atividade de streaming de um produto brasileiro em português acontece fora do país, em média. Dessa parcela, 25% das audições são feitas na Europa, 21% na América do Norte, 19% em outros países da América Latina, 2,5% na Ásia e 1,5% na Austrália e Nova Zelândia.

Um ponto relevante que impacta artistas de todo mundo, incluindo os independentes brasileiros, é o chamado “value gap“, ou abismo de valor. Esse termo é utilizado para definir a diferença entre os valores pagos por plataformas de streaming de áudio (como Spotify, Deezer, Apple Music e afins) e de vídeo (como o YouTube). Segundo a IFPI, o Spotify pagou em 2017 aos detentores de conteúdo cerca de 20 dólares por usuário ativo, enquanto o pagamento do YouTube para essa mesma proporção foi de menos de um dólar. Nos números da Merlin, 67% dos parceiros relataram que a maior parte de seu faturamento vinha do streaming de áudio, enquanto 82% apontaram que os ganhos com vídeo representavam menos de 25% do seu total.

Em um mercado como o brasileiro, em que o YouTube representa boa parte da visibilidade e disseminação potencial do conteúdo dos artistas, esse é uma questão que vale a pena acompanhar. O YouTube está propondo uma mudança estrutural que pode impactar nesses valores — a plataforma anunciou em maio o lançamento do YouTube Music e do YouTube Music Premium, que substituirão o Google Play Music e terão possibilidades de assinatura gratuita (com anúncios) e com pagamentos mensais.

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