Série Arredores: Anna Brandão e o universo das ilustrações nas capas de álbuns

Anna Brandão

por Lucas Lima

O amplo universo da ilustração pode ser uma opção criativa para se ter um diferencial na capa do seu álbum, single ou EP. Mas, como saber se o uso de tal arte combina diretamente com o seu trabalho? E como é, para o ilustrador, absorver a identidade do seu trabalho para fazer uma capa que case com sua música?

Na série de entrevistas Arredores, conversamos com profissionais respeitados que trabalham ao redor da música, criando circunstâncias e possibilidades para que os artistas se apresentem da melhor forma possível. Sobre o assunto ilustração na música, conversamos com Anna Brandão; confira:


Tatuadora, poeta e ilustradora, Anna Brandão está acostumada a trabalhar com bandas e artistas em geral. A capa do EP “Dança”, do Amphères, banda distribuída pela Tratore, é dela, assim como do álbum “Dive”, da banda mineira Miêta. Para Anna, qualquer trabalho pode ter uma ilustração na capa, desde que exista sempre uma troca de ideias com os artistas.

“O universo da ilustração é muito amplo e eu acho ótimo que o artista saiba que dá pra seguir muitos caminhos e causar diversas sensações com isso. Sem contar que, com a ilustração, existe uma liberdade maior pra representar aquilo que você imaginou”, diz.

“Gosto de conversar bastante com os músicos para alinharmos os pensamentos. Foram poucos os clientes que já tinham uma ideia fixa do que queriam e, mesmo quando eles sabem, no final pode acabar saindo algo diferente (e melhor). Então com reuniões e compartilhando processos e referências sempre dá para chegarmos num ponto em comum para transmitir da melhor forma aquela ideia. Ouvir o álbum acaba não sendo tão importante quanto conversar com a banda pra conhecer/entender o que motivou eles a fazer aquelas músicas (e em muitos casos eu começo a fazer a capa antes mesmo das músicas estarem finalizadas)”, completa.

Ouvir o artista sobre o que ele quer é importante, mas também cabe saber que o trabalho de um ilustrador requer uma certa liberdade. Até por isso, o músico precisa estar aberto a receber sugestões e ideias, que, no final das contas, visam melhorar o trabalho.

“O cliente me procura porque gostou do meu estilo, da forma que eu desenho algo, e quer ver o que ele pensou ilustrado daquela forma. É diferente de, por exemplo, eu fazer uma obra pessoal e alguma banda se conectar com aquilo e comprar pra usar na capa. Obviamente existe uma liberdade pra que eu converse e às vezes indique alguns caminhos que não são muito bons de serem seguidos (tipo paleta de cores que não funcionam ou alguma mistura de estilos que pode ficar estranha). Mas, de qualquer forma, o diálogo é muito importante no processo inteiro. Uma banda geralmente são 3 pessoas ou mais e eu preciso alinhar os gostos de cada um pra chegar numa imagem ‘ideal'”, diz Anna.

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Capa do EP “Dança”, do Amphères

 

É caro ter uma ilustração na capa de um álbum?

Um trabalho tão detalhado e por vezes diferenciado talvez cause a impressão que tenha um custo maior para o artista. Anna não pensa que a ilustração seja cara, mas, sim, que é um investimento importante, principalmente por chamar atenção do público.

“É um investimento, tal qual pagar alguém para masterizar, mixar um disco, uma empresa para prensar os CDs, etc. A ilustração vem para costurar tudo isso e, querendo ou não, a imagem que está na capa do seu trabalho vai ser a primeira coisa a chamar atenção. Então a pessoa investe o dinheiro dela numa coisa que ela acredita para ter um retorno depois”, conta.

Realmente, chamar atenção do público é uma coisa importante a se pensar, até por isso, é válido, assim que projetar o seu próximo álbum, single ou EP, pensar em uma ilustração para a capa ou até mesmo uma outra coisa diferente.

“As pessoas compram edições especiais de livros que elas já leram só porque a capa é bonita, ou pagam mais caro em um determinado produto porque a embalagem é diferente ou colorida. Nós somos pegos pelos estímulos visuais o tempo todo e eu acho isso incrível de se pensar. Cada coisinha que eu faço tem um motivo, seja pra passar uma sensação específica com uma combinação de cores ou prender a atenção da pessoa com uma composição. Eu mesma sou sempre vítima desses estímulos visuais. Já conheci muitos artistas novos só porque a capa deles no YouTube ou Spotify tinha cores que eu gosto ou uma ilustração bonita”, finaliza.

Conheça mais do trabalho de Anna Brandão como ilustradora: http://www.instagram.com/annanaoexiste

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