7 dicas básicas para começar a gravar sua música em casa

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por David Dines

Em tempos de distanciamento social, poder gravar em casa virou um privilégio que tem ajudado vários artistas a continuarem as atividades de suas carreiras. Caso você nunca tenha se aventurado em gravação digital nessa estrutura faça-você-mesmo, a Tratore separou algumas dicas básicas para começar. Confira:



1. De que equipamentos preciso?

Para começar, você tem a escolha de trabalhar do seu computador ou do celular. Hoje, com o avanço de um tipo de software chamado DAW (sigla para “digital audio workstation”, ou estação de trabalho de áudio digital), é possível gravar de forma adequada das duas formas, produzindo faixas de qualidade profissional.

Caso você opte pelo computador, algumas opções básicas de DAW são o Reaper (para o Windows) e o Garageband (para Mac, mas que também tem versões para iPad e iOS). Entre as opções avançadas, que contam com diversos plugins e instrumentos virtuais nativos, há o Ableton Live, o Pro Tools, o Studio One (todos para Windows e Mac), o Logic (apenas para Mac) e o FL Studio (para Windows e celulares Android). O Wavepad também é outra boa alternativa para dispositivos Android e iOS.

Apesar de ser possível gravar com os microfones dos próprios dispositivos, é sempre recomendado contar com uma interface de áudio, que é um hardware que recebe o sinal do seu microfone ou instrumento e garante a qualidade do que está sendo captado. Para começar, há várias marcas em diferentes faixas de preço que trabalham com interfaces USB, caso você vá utilizar o computador. Há também interfaces em conta que são específicas para dispositivos móveis, como é o caso do iRig, da IK Multimedia.

Em matéria de microfones, é importante escolher com qual você pode e quer gravar, e quais diferenças de captação há em relação a outras opções. Os microfones chamados dinâmicos, como os usados por cantores ao vivo (alguns exemplos clássicos são o Shure SM58 e o SM57), captam o som de maneira mais direta e são menos sensíveis. Por isso, são recomendados para captação de amplificadores, partes da bateria, percussões e sopros. Já os condensadores, utilizados para gravações de vozes em estúdio, possuem uma sensibilidade maior e conseguem captar melhor a ambiência.

2. Crie guias (com click)

Como no estúdio, é importante estabelecer como a música será construída a partir de um elemento que sirva apenas como parâmetro. Grave um rascunho de voz e de um instrumento harmônico (guitarra, violão, piano etc.), de preferência com metrônomo (ou click, no jargão), que todas as DAWs têm. Esses rascunhos são normalmente chamados de guias. Com eles, será mais fácil tornar a gravação mais coesa, com todos os elementos em sincronia. Conforme for avançando nas gravações, você pode remover essas faixas e deixar só os registros definitivos.

3. Grave, em seguida, a seção rítmica, as harmonias e as melodias

Uma vez gravados os elementos-guia, é padrão registrar em seguida as partes percussivas (incluindo baterias e beats eletrônicos), as harmonias (guitarras, violões, pianos, teclados etc.) e, ao fim, as melodias, incluindo a voz, um elemento por vez. No entanto, como você está no domínio do processo ao gravar sozinho/a, há a possibilidade de registrar tudo isso na ordem que julgar melhor. As DAWs, com seus instrumentos virtuais e funcionalidades MIDI, também podem ampliar a gama de timbres e recursos no seu arranjo.

Na captação, também é importante avaliar a estrutura de ganho na gravação de cada parte, para que você não grave alto demais e tenha distorções no som. Sempre grave de fones de ouvido e em um ambiente o mais silencioso possível, para minimizar vazamentos indesejáveis de áudio nos microfones.

4. Não se esqueça da edição

O bom de gravar em casa é o fato de não precisar correr com nada e experimentar uma forma de gravar mais relaxada, ao contrário de quando se está em um estúdio, pagando por hora. No entanto, é importante ser criterioso/a com a edição desse material.

Nas DAWs é possível corrigir tempo, afinação, escolher takes, cortar tracks inteiras (caso necessário) e partes que “sujam” o arranjo, mover seções, reduzir ruído, retirar chiados dos equipamentos, passos, rangidos de cadeira, respirações, trânsito na rua e outros barulhos (caso você não tenha um ambiente isolado acusticamente) e períodos de silêncio, que podem virar ruído quando se acrescenta compressão.

O processo de edição fica bem mais simples caso você tenha gravado com um metrônomo, de modo que você consegue localizar e trabalhar em compassos específicos da música.

5. Mixagem e masterização

Caso queira finalizar você mesmo/a o áudio, o que pode ser complexo para iniciantes, vem em seguida a parte de mixagem, com o balanceamento dos faders para valorizar o arranjo e a inclusão de detalhes de pan, equalização, compressão, reverb e outros efeitos. Em seguida, vem a masterização, em que é definida a compressão final e o loudness da faixa. É possível utilizar plugins das próprias DAWs para a mixagem, e há softwares como o Izotope Ozone e o T-Racks, também da IK Multimedia, que facilitam o processo de masterização.

No entanto, nesse período de quarentena, vários engenheiros de mixagem e masterização continuam trabalhando remotamente a partir dos seus home studios. É bom pesquisar e ver a possibilidade de trabalhar com esses profissionais, obtendo um ótimo resultado técnico mesmo neste momento de distanciamento social.

Lembre-se de que, para distribuir sua música em todas as plataformas digitais, o arquivo final de áudio precisa estar em .wav, no padrão 44.1 kHz, 16 bits.

6. Referência é essencial

Utilize seus melhores fones de ouvido e monitores para avaliar o áudio que você está produzindo – e, se possível, invista em um bom fone ou em um bom par de caixas. Com isso, você terá uma noção mais fiel da qualidade da sua gravação e da finalização da sua faixa.

7. Busque conhecimento

Há diversas fontes de informação para a produção de áudio na internet. Como introdução à gravação em casa, recomendamos, por exemplo, o portal E-Home Recording Studio e os canais de YouTube de Chrys Gringo e Marcelo Santos, que mostram como resolver várias questões na prática. No entanto, há vários lugares em que é possível obter informação gratuita e de qualidade para o que você precisa. E, como em várias outras habilidades adquiridas, trabalhar com áudio é um processo de aprendizado contínuo, e a melhora vem também com o tempo e a prática.

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Tratore é a maior distribuidora de música independente do país, com mais de 10 mil artistas em catálogo. Desde 2002, disponibilizamos álbuns, EPs e singles em lojas físicas e digitais do Brasil e do mundo. Para distribuir sua música conosco, acesse: http://www.fonomatic.com.br

Um comentário sobre “7 dicas básicas para começar a gravar sua música em casa

  1. Vinicius disse:

    Grande! Só um pequeno adendo: tanto o Reaper quanto o FL Studio também são compatíveis com Mac 😉👍

    O Reaper, particularmente, pode ser até meio assustador pra quem nunca usou um DAW antes, além de tecnicamente ser pago (apesar da versão de demonstração mega generosa). Talvez uma sugestão mais interessante pra quem quer um DAW gratuito pra Windows seja o Cakewalk – é o bom e velho Sonar Platinum que muita gente deve lembrar, só que agora disponibilizado oficialmente de graça, atualizado e completo, somente pra Windows.

    Abraços!

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