Entenda os riscos de um lançamento surpresa

por David Dines

Prática executada por alguns artistas nos últimos anos, o lançamento surpresa de um trabalho musical passou a ser visto como uma possibilidade de fazer mais barulho na sua chegada às plataformas digitais. No entanto, esse formato de promoção pode não ser uma boa ideia para todos os músicos e bandas. Entenda:


O principal ponto a ser avaliado ao fazer um lançamento surpresa é a inexistência de tempo para engajar seus ouvintes até a chegada do produto, o que pode ser uma grande desvantagem. Portanto, para que esse tipo de estratégia funcione, os fãs precisam estar altamente envolvidos com o artista nas redes e nas plataformas digitais, com um bom número de streams e interações. É por esse motivo que tal tipo de ação torna-se mais oportuno quando realizado por bandas e músicos de maior peso comercial.

É importante levar em conta que antecipação e desejo estão no centro da promoção de um trabalho musical, e esse tipo de vínculo não se constrói rapidamente. Geralmente, para ter um bom resultado, é preciso estabelecer uma relação com o público por um longo período e anunciar singles, EPs e álbuns com uma boa antecedência em relação à data de lançamento, para que a informação circule e os ouvintes estejam atentos quando o novo trabalho chegar. Muitas vezes, não basta anunciar a novidade em posts, stories e afins: é preciso chamar o público à ação, utilizando ferramentas como o pre-save, os alertas nas redes sociais e estreias no YouTube, de modo que um bom volume de respostas pode levar alguns dias.

O principal driver de um lançamento sem anúncio prévio são os superfãs, que responderão imediatamente à chegada do novo trabalho e espalharão a palavra. Não é recomendado contar com a parte de imprensa como o principal motor da chamada de público, uma vez que uma resposta menos enérgica dos veículos pode prejudicar o desenvolvimento inicial de sua promoção. Essa frente pode ser um driver relevante, porém secundário, uma vez que o peso comercial do trabalho é um dos fatores levados em conta na escolha de quando e como um jornal ou blog falará sobre o lançamento.

Como os editores das plataformas de streaming também levam em conta o fator novidade na escolha de seus destaques, assim como os jornalistas, a primeira semana de um produto é a mais importante de sua história. Caso não seja possível notar um bom engajamento prévio do público na plataforma, é possível que os números orgânicos no lançamento sejam pequenos, e isso pode impactar na escolha dos editores para inclusão em playlists oficiais. Dependendo da circunstância, um mau resultado em uma ou mais dessas frentes pode gerar um efeito cascata que influencia negativamente as demais, prejudicando a promoção como um todo.

Caso você ainda esteja construindo sua base, um lançamento surpresa provavelmente não será uma boa ideia. No entanto, caso você tenha bons indícios a partir das métricas e sinta curiosidade de testar, vale a pena lançar um single dessa forma e avaliar o seu desempenho. É importante lembrar que, no ambiente digital, não há estratégia que funcione para todos os músicos, e os desempenhos podem variar muito de artista para artista, devido ao seu recorte de nicho e ao comportamento de sua base de ouvintes. 

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