Spotify for Artists: Conheça 3 indicadores de comportamento do público na plataforma

por David Dines

Muitos artistas têm acesso ao Spotify for Artists, mas não sabem muito bem como utilizar em seu benefício as informações que o sistema provê. O Blog da Tratore aponta três indicadores que podem ser avaliados contextualmente para identificar oportunidades e desafios:


1. Proporção das fontes de streaming

Na seção Audience (público) e dentro de cada faixa, é possível ter acesso ao gráfico Source of Streams (fonte de streams), que determina a proporção de ouvintes que consumiram sua música naquele período a partir de seis critérios: no seu perfil ou catálogo (diretamente no single, EP ou álbum), em playlists do próprio usuário, em playlists de outros usuários, em playlists editoriais, em playlists algorítmicas ou outros.

É sempre interessante que haja uma boa distribuição de desempenho entre esses recortes, mas caso um desponte, é possível identificar alguns possíveis cenários.

Se o primeiro item, o de perfil ou catálogo, for desproporcionalmente maior do que todos os outros, uma hipótese é que boa parcela do seu público tem o hábito de ouvir seus álbuns na íntegra, o que talvez revele um tipo de consumo que também impacta outros artistas. Essa possibilidade poderá ser confirmada por números consistentes de execução entre as faixas de determinado álbum e observando o desempenho de produtos de alguns dos artistas relacionados.

Outra hipótese é a de que a promoção de determinado lançamento está tendo um amplo alcance de público, mas os usuários não se sentem motivados a incluir em playlists próprias. Cabe então ao artista e sua equipe entenderem o porquê, já que a inclusão em playlists de usuários é tida como um dos principais sinais de um bom engajamento dentro do streaming. Valeria a pena, por exemplo, segmentar melhor a campanha de promoção, para chegar em um recorte de público com mais possibilidades de conexão.

Se o segundo item, playlists do próprio usuário, for desproporcionalmente maior do que os outros, pode significar que seus lançamentos mais queridos tiveram um bom engajamento desde o lançamento e, com isso, há uma oportunidade de atenção do público em lançamentos futuros. É interessante cruzar essa informação com o gráfico de seguidores da página, que indica determinado grau de fidelização desse público dentro da plataforma. Se o número de seguidores não acompanha satisfatoriamente esse desempenho, especialmente se o pico de streams for em uma ou poucas faixas, pode significar que esses ouvintes criaram uma relação próxima com aquelas músicas, mas não necessariamente com o artista, por enquanto.

Já o terceiro item, playlists de outros usuários, pode apontar que os ouvintes têm uma relação próxima com os usuários/curadores responsáveis por aquelas listas. Assim, seria importante entender como os valores do artista e desses curadores autônomos se alinham – e, caso esses usuários sejam marcas ou influenciadores, ver a possibilidade de ações estratégicas conjuntas. Tanto nesse caso quanto no anterior, também é possível ter uma pequena visão do estilo de vida daqueles ouvintes. É possível saber, por exemplo, se esse público prefere ouvir sua música fazendo exercícios ou em casa, em momentos felizes ou contemplativos, e alguns valores básicos que os movem. Ter ciência desse tipo de comportamento pode ajudar o artista a “falar” melhor a “língua” do público, especialmente nas redes sociais e dentro do planejamento geral de ações.

Se o quarto item, de playlists editoriais, for desproporcionalmente maior do que todos os outros (especialmente se simbolizar mais da metade das execuções), é um indicativo que você teve uma faixa incluída em uma playlist do próprio Spotify, mas que seria bom corrigir a estratégia de promoção de modo a poder trazer mais ouvintes por outras fontes. Esse indicador deixa subentendido que a playlist do Spotify é a principal responsável por trazer público para a sua música – o que não é o desejado. As plataformas de streaming não se veem como as principais janelas para revelar artistas do mercado musical, mas sim como um dos entes envolvidos na estratégia dos músicos e bandas. Caso essa situação se prolongue, há mais chances de que a faixa não permaneça na playlist, provocando uma queda brusca nas audições com uma eventual remoção. Ajustando a estratégia de promoção, é possível se precaver em relação a isso.

Se o quinto item, playlists algorítmicas, for desproporcionalmente maior, significa que a maioria dos ouvintes está chegando até sua música via listas como Radar de Novidades e Descobertas da Semana, que são definidas pela inteligência artificial do Spotify de acordo com o gosto dos usuários. Nesse caso, é possível buscar entender qual é a parcela desse público que engaja bem com a faixa nas semanas seguintes e qual é o recorte demográfico que está respondendo melhor àquelas sugestões, para poder ajustar suas ações promocionais.

2. Faixa etária do público

As métricas sociais do público são interessantes especialmente para entender qual é a demografia mais significante na sua base de ouvintes e então presumir comportamentos de consumo, o que pode guiar escolhas estratégicas da carreira. É possível cruzar informações entre idade do público e redes sociais, por exemplo – se sua principal faixa de público tem entre 18 e 25 anos, ela provavelmente não tem o Facebook como principal rede, mas sim o TikTok, o Kwai ou o Instagram, e, portanto, é interessante que o artista esteja nessas plataformas.

A demografia etária também pode revelar quais formatos de lançamento são preferidos pelo público. Se a maioria de seus ouvintes tiver esse recorte acima, por exemplo, provavelmente esse público é nativo digital. Assim, esses ouvintes possivelmente conheceram música na infância a partir da internet, e não por meio de suportes físicos como CD ou vinil – portanto, podem ser menos propensos a escutarem álbuns na íntegra, o que favorece formatos curtos como singles e EPs.

3. Localidades

Ainda dentro da seção Audience, é possível ver os Top Countries (principais países) e Top Cities (principais cidades), podendo ter uma ideia do volume de ouvintes nas principais localidades e identificar demandas específicas ou reprimidas. Em tempos possíveis de circular com shows e fazer turnês, esse campo poderia ser utilizado estrategicamente junto a contratantes, de modo a demonstrar que há um público local interessado naquela apresentação. Com o distanciamento social, esses dados podem ser usados para afinar eventuais impulsionamentos, de modo a fazer sua música chegar em mais ouvintes de determinado local em que já há demanda.

Essa lista não contempla todas as possibilidades possíveis de análise a partir dos dados do Spotify for Artists. Portanto, é bom adequar as avaliações de acordo com a realidade do artista e fundamentar as hipóteses com dados. Assim, é possível buscar resultados cada vez melhores no streaming que estejam alinhados às demais frentes de carreira.

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