Como realizar um festival online?

por David Dines

Em função do distanciamento social, os festivais de música também vieram para o ambiente online desde o ano passado, possibilitando apresentações marcantes dentro das circunstâncias incomuns da pandemia. No entanto, quais são as preocupações técnicas/burocráticas que organizadores devem ter ao realizar um evento desse tipo? O Blog da Tratore levanta alguns pontos:


1. Live ou estreia?

Ao escolher em qual plataforma será realizado o festival, é importante levar em conta o formato da apresentação. Os artistas estarão em determinado lugar físico, tocando naquele momento? Ou encaminharão seus vídeos e o corte deles será feito ao vivo? Também há a possibilidade de montar previamente o vídeo inteiro do festival, subindo-o como uma estreia no YouTube, por exemplo. Nesse caso, isso faz com que o vídeo não seja lido como uma live pela plataforma e, portanto, não fica suscetível aos mesmos riscos técnicos de uma transmissão – ainda que a experiência na primeira exibição seja idêntica à uma transmissão, com o chat ao vivo como recurso para interação do público.

2. Liberações e reivindicações de distribuidoras

Caso a organização opte que o festival seja transmitido ao vivo, é recomendado alinhar com todos os artistas envolvidos a liberação dos seus fonogramas junto às suas distribuidoras. Reivindicações automáticas de gravações são o principal motivo de derrubada de transmissões, e isso acontece quando o artista interpreta a canção de maneira muito similar à gravação original – como, por exemplo, quando utiliza uma base instrumental contendo elementos da gravação.

Quando os artistas pedem esse tipo de liberação, comumente chamado de “whitelisting”, o link do festival deixa de ser reivindicado ao longo do dia e horário de realização por aquela distribuidora. Caso os shows se tornem vídeos fixos depois da estreia, as distribuidoras (e os artistas, por consequência) poderão aplicar reivindicações sobre o uso das canções caso sejam reconhecidas como os fonogramas de origem. No caso do YouTube, só será possível monetizar essas músicas caso o canal tenha mais de mil seguidores e 4 mil horas assistidas no decorrer dos últimos 12 meses.

Se você realizar o seu evento no Facebook, é recomendado pedir às distribuidoras dos artistas que também incluam o link de sua fanpage em uma “allowlist” permanente, para que os vídeos fixos também não corram risco de serem silenciados. Todos os tipos de liberação de música na plataforma só podem ser feitos para páginas, não para perfis pessoais.

3. Releituras

Reivindicações de composições não derrubam lives nas plataformas neste momento. Caso a apresentação se torne um vídeo fixo, os autores poderão reivindicar por meio de suas sociedades e editoras parte da monetização dos vídeos a título de direito autoral. No entanto, é bom lembrar que, segundo a lei brasileira, o autor (ou seus representantes diretos) é soberano sobre sua obra. Portanto, vídeos com faixas que não tenham sido liberadas por esses responsáveis correm o risco de ser, eventualmente, derrubadas, apesar de isso ser pouco comum. Para facilitar o processo, a organização pode pedir aos artistas que apresentem apenas faixas autorais.

4. Lives patrocinadas

Em função da pandemia, o ECAD e a UBEM passaram a solicitar de artistas e produtores uma remuneração para lives que estejam recebendo patrocínio de empresas, em um cálculo de porcentagem sobre o total recebido. Se for o caso do seu evento, é importante entrar em contato previamente com as duas instituições.

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