TIDAL apresenta plano HiFi Plus, com modelo de pagamento aos artistas centrado no usuário

por David Dines

Na última semana, o TIDAL, plataforma reconhecida pelo pioneirismo no streaming de música lossless (sem compressão ou perda de áudio), lançou em todos os territórios um novo modelo de assinatura: o HiFi Plus. Além de entregar música em mais formatos, o plano também promete pagar os artistas em um modelo diferente, centrado no consumo do usuário. Entenda:


No modelo atual de pagamento, que continua valendo para os demais planos do TIDAL e todas as outras principais plataformas, o valor das execuções mensais é calculado dividindo todos os plays do período com a arrecadação de cada plano, chegando a um valor único para artistas de todos os portes, de modo que os mais ouvidos recebem mais.

No modelo que será implementado no HiFi Plus em 2022, a maior parte do valor do plano será convertida aos artistas escutados por aquele usuário. O ouvinte poderá monitorar como os seus plays estão beneficiando seus artistas favoritos, e o músico ou banda mais ouvido por aquele assinante receberá uma espécie de bônus, da ordem de 10% do valor do plano. O modelo, que atualmente tem a possibilidade de ser consumido com 3 meses grátis, tem mensalidade fixada em R$ 33,80.

Entre os principais serviços de streaming de música, a única outra companhia que tem apoiado esse tipo de repasse aos artistas é a Deezer. A empresa lançou uma campanha em defesa de um modelo centrado no usuário em 2019, mas ainda não implementado globalmente.

O assunto é alvo de muita discussão dentro do mercado fonográfico. Os defensores de uma mudança no modelo de pagamento argumentam que uma abordagem centrada no usuário promoverá mais transparência, mais eficiência no combate a atividades fraudulentas (como compra de streams utilizando bots) e maior repasse a artistas que têm menor número de plays mas um grande público, como é comum em catálogos bem sucedidos e segmentos como música erudita, jazz, blues e metal.

No entanto, há diversos contrapontos à ampla utilização do modelo. Um dos pontos geralmente citados é o fato de que o valor de cada execução poderia variar de usuário para usuário, de modo que alguém que escutasse cem músicas em um mês pagaria mais aos artistas do que quem escutasse mil músicas. Isso tornaria a distribuição de royalties mais volátil, menos previsível e a operação das plataformas mais complexa – o que poderia gerar custos adicionais a serem repassados aos usuários. Pesquisas como a do Centre National de la Musique (CNM), da França, também apontam que há limitações no benefício aos músicos. De acordo com o estudo, os artistas fora do top 10.000 das plataformas continuariam recebendo valores similares aos do modelo atual.

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